quinta-feira, abril 08, 2010

Obra prima


Finalmente vi "O Laço Branco", um excelente filme sem qualquer sombra de dúvida. É tudo tão bem feito que não há nada que eu possa acrescentar às críticas elogiosas que tem merecido. Há, no entanto, um pormenor que me deixou a pensar. As crianças actuam de uma forma absolutamente assombrosa. Percebe-se que foram superiormente dirigidas. Que histórias lhes terão contado para que elas tivessem atingido os níveis de representação que nos deixam de boca aberta quando vemos as suas cenas?

A capacidade de representação das crianças é espantosa. Como se encontram a meio caminho entre a brincadeira de faz-de-conta e o faz-de-conta da vida adulta, são capazes de coisas extraordinárias. Em "O Laço Branco" há momentos para lá do comovente. Não apenas nas cenas interpretadas pelas crianças, é verdade, os actores adultos também conseguem superar o muito bom. Mas, como comentava um amigo meu durante o intervalo, onde foram buscar um grupo de miúdos tão bom? O realizador (a direcção de actores é também de Michael Haneke?) é um autêntico mestre!

Seis estrelas em cinco possíveis!

5 comentários:

Beto Canales disse...

Muito bem observado.

Uma curiosidade: intervalo? Houve intervalo na exibição do filme?

Anónimo disse...

É isso que eu ia perguntar também, intervalo no meio do filme?
Eu vi um cartaz do filme com o rosto de um dos meninos, vc chegou a ver? Deu até medo da expressão que o menino fazia. Seis estrelas? Vou ver com certeza.
madoka

Silvares disse...

Beto, Madoka, sim, houve intervalo. Foi uma sessão única no auditório da biblioteca municipal de Almada, a poucas centenas de metros de minha casa. Os bilhetes custam 3 euros (algo como 6 reais, penso eu) e a sala é muito decente. Não sei bem para que é o intervalo uma vez que não há pipocas!
:-)
Sempre dá para fumar um cigarrinho e trocar umas ideias com as pessoas conhecidas.

Madoka, o filme é realmente muito mais que muito bom (o Beto já tinha feito um texto no seu blogue Cinema e Bobagens). Uma destas 4ªs feiras vão passar o filme francês "Um Profeta" que também não quero perder.

the dear Zé disse...

Já tinha comentado no Beto. O melhor filme do ano (e de outros). Um assombro.

Silvares disse...

Já tinha visto esse comentário e penso que também já tinhas falado deste filme num comentário aqui no 100 Cabeças. O cinema feito numa lógica não-comercial pode atingir pontos muito altos... mesmo!